Adelaide era uma mulher de seus trinta e seis anos, mas que aparentava não menos que quarenta e cinco. Castigada pelo sol e pela enxada, vivia só na casa em que seus pais faleceram. Seu único irmão havia deixado aquele fim de mundo já há muitos anos, até voltar.
Geraldo era seu nome, sua esposa havia sofrido um acidente quando seu cavalo tropeçou e ela quebrou o pescoço. Foi encontrada pelo próprio marido três dias após, já fedia longe. Seus olhos abertos ao chão estavam sujos de terra e sua língua roxa era cheia de formigas. Desse dia em diante o olhar de Geraldo era vago, sua expressão apática, não trabalhava, não comia, se arrastava.
Geraldo caminhou até chegar à casa de sua irmã, era já no entardecer quando sem pronunciar uma palavra entrou silenciosamente e foi visto à beira da cama onde dormia cedo sua irmã Adelaide, que acordou assustada, pois há muito que não falava com o irmão.
Geraldo era gordo, grande e forte. Adelaide era magra, meio torta e barrigudinha. Calado ele a segurou, e aos gritos ela foi duramente estuprada. Os olhos dele tremiam. Ela sangrava de costas, pela violência. Ele socava suas costas até azular a pele e puxava seus cabelos até arrancar os fios pela raiz.
Já no fim da brutalidade, aos gritos, prantos e no ápice do desespero Adelaide buscou com sua mão o que encontrasse, segurou na jarra d'água ao lado da cama e se virou acertando a cabeça do irmão. Caído no chão restou aquele corpo gordo e imundo, escorrido de sangue, suor e terra. Adelaide deitou-se e sangrando por seus meios desmaiou em seu desespero, enquanto tremia e vomitava.
Passaram-se cinco anos, trigêmeos brotaram daquela imundice, ao nascerem, lá mesmo, foram jogados aos porcos. As crianças engordaram com a lavagem e milho velho, não aprenderam a falar nem caminhavam de pé. Já com seus quatro anos de idade tinham seus corpos marcados de dentadas dos irmãos e dos outros porcos que ali viviam. Antes dos seis anos só um restou, o mais forte, ele já havia devorado os outros dois irmãos. Até que um dia foi abatido por um animal qualquer que o estraçalhou e espalhou suas partes pelo quintal da fazenda.
Adelaide era apática, ela não tinha dentes, seus olhos eram vazios, sem alma, sem vida. Montou seu cavalo e o disparou até o penhasco, o cavalo parou bruscamente e ela foi lançada longe. Seu corpo foi encontrado três dias após, já fedia. Seus olhos abertos ao chão estavam sujos de terra e sua língua roxa era cheia de formigas.
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